sexta-feira, 9 de novembro de 2007

De início, Um Poema

Quero dizer Bom dia à todos (as) e manifestar minha alegria de poder compartilhar este espaço democrático e plural a partir de hoje. Peço a paciência e a benevolência de todos e todas para o aprendizado que agora inicio.Então, gostaria de cometer um poema que fala sobre o vale do rio doce e uma de suas muitas personagens.


A vitória do Vale do Rio Doce na Segunda Guerra Mundial

Para as miqueiras guerreiras do Vale do Rio Doce

1942.

A manhã acorda e já se ouvem o apito e as sirenes das Cias. de Mica.

Breve, uma multidão de gentes e suas bicicletas estarão, cada um, entrincheirados (as) em frente das suas rústicas máquinas.

Os movimentos das mãos e dos braços são espaçados,

articulados, por vezes frenéticos.

Um vai e vem entre a máquina rústica e a bruta pedra.

A força tarefa das miqueiras (os), excede dezenas, perpassa centenas... atinge e convoca milhares..., mulheres e crianças, seguindo o rastro brilhante e luminoso do mineral,

tapetes contrastando o sol e compondo o ambiente do por fazer em casa.

Nossa mica foi o nosso minério de ferro. Nossas lavras foram o nosso pico do cauê.

A vitória dos aliados foi a vitória do Vale do Rio Doce. Como não saber? Como não falar?

O neto-bisneto imigrante despede-se hoje da bisavô miqueira-guerreira

Marchando para a fronteira norte

que mata em tempo de paz

Ontem escancaramos nossos limites nos bastidores da vitória,

nutrindo o triunfo aliado com o mineral estratégico

- De que silêncio é feito esta vitória?

- De que batalha não participamos?

- De que frente deserdamos?

- Por que nossa bandeira não estava lá?....

Uns dizem ...:-“ fruto do esforço de guerra...”

A vitória do Vale ainda não foi proclamada.

- Quem abafa este grito?

- Que tratados de estados nos impedem?... Da redenção?!

- Que distratos foram-nos impostos além do silêncio?

Vale do Rio Doce, seu destino é emoldurar ciclos e chamá-los de econômicos!?

A moça miqueira não tem um retrato até hoje.

Já virou bisavó... e só lembra...

até tem saudades

Foi convocada e não sabia,

Ganhou a guerra e não sabia.

Ganhamos a guerra. Más onde está o êxito...na memória?

Na crateras remexidas... Nas feridas esquecidas, na vivência fossilizada e desperta de qualquer lembrança de Domingo a tarde...

Jaime Luiz Rodrigues Júnior


3 comentários:

Walter Andrade disse...

Meu caro amigo,

Um intelectual com a sua capacidade de produzir e de contribuir para o fomento da cultura local e regional não pode nos privar de conhecê-lo em suas várias nuances. Sobretudo sua verve literária.
Esse espaço é fundamental para essa interação. Você está de parabéns.
Grande abraço,

Walter Andrade

Du Flauzino disse...

Fico feliz por ser contemporânea de um poeta de tamanha índole intectual.
Fico honrada de tê-lo no convívio social, como amigo, agente cultural, e acima de tudo guerreiro da arte e da cultura.
Quão belo é seu vocábulo que desliza na história e rescontrói os fazeres de uma cidade e de sua gente. História que não presenciei, mas pude viver agora de modo tão dócil e poético.
Um abraço
Dulce Carvalho

REGINA. UMA APRENDIZ disse...

pARABÉNS AMOR...
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