Quero dizer Bom dia à todos (as) e manifestar minha alegria de poder compartilhar este espaço democrático e plural a partir de hoje. Peço a paciência e a benevolência de todos e todas para o aprendizado que agora inicio.Então, gostaria de cometer um poema que fala sobre o vale do rio doce e uma de suas muitas personagens.
A vitória do Vale do Rio Doce na Segunda Guerra Mundial
Para as miqueiras guerreiras do Vale do Rio Doce
1942.
A manhã acorda e já se ouvem o apito e as sirenes das Cias. de Mica.
Breve, uma multidão de gentes e suas bicicletas estarão, cada um, entrincheirados (as) em frente das suas rústicas máquinas.
Os movimentos das mãos e dos braços são espaçados,
articulados, por vezes frenéticos.
Um vai e vem entre a máquina rústica e a bruta pedra.
A força tarefa das miqueiras (os), excede dezenas, perpassa centenas... atinge e convoca milhares..., mulheres e crianças, seguindo o rastro brilhante e luminoso do mineral,
tapetes contrastando o sol e compondo o ambiente do por fazer em casa.
Nossa mica foi o nosso minério de ferro. Nossas lavras foram o nosso pico do cauê.
A vitória dos aliados foi a vitória do Vale do Rio Doce. Como não saber? Como não falar?
O neto-bisneto imigrante despede-se hoje da bisavô miqueira-guerreira
Marchando para a fronteira norte
que mata em tempo de paz
Ontem escancaramos nossos limites nos bastidores da vitória,
nutrindo o triunfo aliado com o mineral estratégico
- De que silêncio é feito esta vitória?
- De que batalha não participamos?
- De que frente deserdamos?
- Por que nossa bandeira não estava lá?....
Uns dizem ...:-“ fruto do esforço de guerra...”
A vitória do Vale ainda não foi proclamada.
- Quem abafa este grito?
- Que tratados de estados nos impedem?... Da redenção?!
- Que distratos foram-nos impostos além do silêncio?
Vale do Rio Doce, seu destino é emoldurar ciclos e chamá-los de econômicos!?
A moça miqueira não tem um retrato até hoje.
Já virou bisavó... e só lembra...
até tem saudades
Foi convocada e não sabia,
Ganhou a guerra e não sabia.
Ganhamos a guerra. Más onde está o êxito...na memória?
Na crateras remexidas... Nas feridas esquecidas, na vivência fossilizada e desperta de qualquer lembrança de Domingo a tarde...
Jaime Luiz Rodrigues Júnior